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Rolagem de dívida e
falta de clareza sobre privatização
derrubam Cemig
28/11/2000
28 de Novembro de 2000
11h24
Michelly Teixeira
SÃO PAULO - A afirmação
do diretor de relações
com investidores da Companhia Energética
de Minas Gerais (Cemig), Luiz Fernando
Rolla, de que a privatização
da estatal não sai antes de
2002 derrubou as ações
da companhia.
Os últimos negócios
com as ações ordinárias
(CMIG3) da companhia indicavam 4,22%
de
desvalorização, a R$
22. A corretora Sita liderava as ofertas
de venda, seguida pela
Factorial. Na ponta compradora figuravam
Égide, SLW e Warburg Dillon
Read. Os papéis
preferenciais da Cemig (CMIG4) recuavam
2,02%, saindo a R$ 25,2.
Também contribui para a volatilidade
dos papéis o anúncio
de que a Cemig fará nos
próximos dias uma operação
para rolar por tês anos US$
63 milhões em dívidas,
cujo
vencimento ocorre em 15 de dezembro.
No próximo ano, a Cemig vai
lançar US$ 150 milhões
em eurobônus com resgate em
16 de novembro e US$ 80 milhões
em empréstimos obtidos junto
ao Banco Mundial, Banco Interamericano
de Desenvolvimento (BID) e outras
outros órgãos internacionais.
De acordo com o analista da Fama
Investimentos, José Villela,
o mercado está um pouco
ansioso com a divulgação
das taxas. "Qual vai ser a remuneração?
Será que a Cemig vai
conseguir rolar toda a dívida?",
questiona o especialista.
Conforme disse, parte da desconfiança
do mercado com estes papéis
deve-se ao risco que o governo mineiro,
representado por Itamar Franco, exerce
sobre a estatal. "Acredito que
a privatização vai demorar
muito. Um mês atrás não
se aceitava falar em desestatização
dentro da empresa, mas este conceito
já está mudando. Entretanto,
ainda há muita
indefinição quanto ao
modelo de privatização",
afirma.
Por conta de todas as incertezas,
as ações preferenciais
da empresa, as mais líquidas,
têm oscilado em desalinho com
o Índice Bovespa. Em 2000,
a Cemig PN acumula 33,74% de queda,
enquanto o Ibovespa registra 18% de
devalorização. No ano
passado, as ações
subiram 87%, mas o indicador avançou
151%. A participação
da Cemig no índice, contudo,
é pequena, de 3,8%.
Villela considera negativo o fato
de o governador de Minas querer privatizar
apenas o
setor de distribuição,
cindindo as áreas de transmissão
e geração de energia.
"Acho um
erro, pois a empresa é rentável
pela sinergia entre os vários
setores. A divisão em
holdings poderia comprometer a eficiência
da Cemig", justifica. O analista
ressalta,
ainda, que a empresa integrada proporciona
maior ganho de escala e sua alienação
promete gerar um montante bastante
expressivo.
Fonte: Valor Online
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