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Comentário: Perspectiva a Agência Leia de Notícias- CMA
17/06/2008

PERSPECTIVA: Avanço da Vale garante valorização do Ibovespa

São Paulo, 17 de junho de 2008
13:35h

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), encerrou a primeira etapa do pregão desta terça-feira em alta de 1,78%, a 68.484 pontos, com volume financeiro negociado de R$ 3,053 bilhões. Em menos de dez minutos de negócios, a alta já era superior a 1%.

Segundo o sócio-diretor da AZ Investimentos Ricardo Zeno, a alta de hoje é "natural" em função das últimas quedas da Bolsa. "No curto prazo, o cenário parece mais estabilizado, com o risco-país em queda e os preços das commodities em alta, o que beneficia o desempenho de mineradoras e siderúrgicas", afirma.

O diretor de operações da TBCS Investimentos, Rafael Ferri, atribui ao desempenho positivo dos papéis da Vale a valorização do Ibovespa. "Além da perspectiva de longo prazo ter sido alterada para positiva pela S&P, as ações recentemente caíram mais que o índice, o que mostra que agora existe uma tendência de alta", afirma. Para ele, o desempenho do mercado norte-americano hoje, operando em sentidos opostos, não influencia o mercado brasileiro.

Na noite de ontem, a agência de classificação de risco Standard & Poors colocou os ratings de crédito corporativo de longo prazo "BBB" atribuídos à Vale em CreditWatch positivo. Em comunicado, o analista de crédito da S&P Reginaldo Takara diz que a decisão "reflete o impacto positivo que o recente anúncio de um aumento de capital de US$ 14 bilhões poderá ter sobre a estrutura de capital e a flexibilidade financeira da Vale, de forma a suportar seu agressivo programa de investimentos e possíveis aquisições".

A S&P destaca a melhora nas operações da Vale, com fortes fundamentos de fluxo de caixa esperados para os próximos dois anos, graças aos elevados preços do minério de ferro e à rentabilidade do níquel, além do robusto perfil de negócios da empresa. A decisão de acessar o mercado de ações, segundo a S&P, mostra que a mineradora manterá uma política financeira prudente e engajada na consolidação da indústria de mineração e em aquisições. Há pouco, as ações PNAs da Vale (VALE5) subiam 3,29%, a R$ 48,54, enquanto as ordinárias (VALE3) avançavam 3,16%, a R$ 58,60.

A agenda de indicadores norte-americanos foi cheia hoje. O número mais importante do dia foi o divulgado pelo Departamento do Trabalho, que mostrou que o Indice de Preços ao Produtor (PPI) subiu mais que o esperado no mês passado, impulsionado pela alta no setor de energia, enquanto o núcleo subiu conforme as expectativas do mercado. O PPI avançou 1,4% em maio, depois de alta de 0,2% em abril e de 1,1% em março. Excluídos os preços de energia e alimentos, o núcleo cresceu 0,2% em maio. Os preços acumulam uma alta de 7,2% nos últimos 12 meses. Em maio, os custos com energia avançaram em 4,9% e os gastos com alimentos tiveram alta de 0,8%. Economistas esperavam que o PPI subisse 1,0% e o núcleo aumentasse 0,2% no mês passado.

Além disso, o Departamento do Comércio informou que o índice de construção de imóveis nos Estados Unidos caiu em maio, mas num ritmo menor do que o previsto pelo mercado. O indicador conhecido como "housing starts" teve queda de 3,3%, para uma taxa anualizada de 975 mil residências, inferior ao total revisado de 1,008 milhão do mês anterior. O índice acumula queda de 32,1% na comparação com o mesmo período do ano passado. O índice de permissão para novas construções (alvarás), que representa o futuro da produção e a confiança na construção, caiu 1,3%, para uma taxa anualizada de 969 mil imóveis. O índice acumula baixa de 326,3% na comparação anual. A conclusão de casas caiu 11,6%,para 1,132 milhão.Economistas esperavam que as construções de imóveis diminuíssem 5,0% para 980 mil unidades, diante da leitura original de 1,032 milhão de abril.

O Departamento do Comércio divulgou também que o déficit em conta corrente nos Estados Unidos subiu no primeiro trimestre ante o quarto trimestre de 2007, devido a uma queda no superávit de rendimentos. O saldo negativo em conta corrente, que mede com mais precisão o comércio do país com o resto do mundo, recuou em 5,5% para US$ 176,4 bilhões, após registrar valor negativo revisado de US$ 167,2 bilhões no quarto trimestre. O superávit de rendimentos caiu de US$ 36,3 bilhões, no final do ano passado, para US$ 29,8 bilhões no início do ano. O saldo positivo no setor de serviços passou de US$ 35,1 bilhões para US$ 36,1 bilhões, ao passo que o déficit na comercialização de bens subiu de US$ 208,9 bilhões para US$ 211,0 bilhões.

Já o Federal Reserve informou que a produção industrial caiu em maio, quando era esperada alta, puxada pela queda na produção de utilidades, que recuaram 1,8% no mês. A produção ficou em 110,9, valor 0,2% menor que o resultado de abril, quando o índice teve queda de 0,7%. O índice apresenta uma queda de 0,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A utilização da capacidade instalada da indústria caiu em 0,2 ponto percentual, para 79,4%, no mês passado. Economistas esperavam alta de 0,1%.

E o instituto LJR Redbook divulgou que as vendas no varejo em lojas de desconto e departamento nos Estados Unidos caíram 0,9% nas duas primeiras semanas de junho, na comparação com o mesmo intervalo do mês anterior. Já em relação ao mesmo período de junho de 2007, as vendas cresceram 2,2%.

No Brasil, o IBGE informou que o volume de vendas no varejo cresceu 8,7% em abril em relação ao mesmo mês de 2007, na série sem ajuste sazonal. A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) apontou que, nos últimos 12 meses, as vendas aumentaram 10,3% ante o mesmo intervalo do ano passado. No ano, a alta é de 11%. Em relação a março de 2008, com ajuste sazonal, o indicador também aponta alta de 0,2% em abril. Para a receita nominal, o crescimento em abril foi de 0,6% em relação a março. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a receita cresceu 13,8%. No ano, a receita nominal do comércio varejista acumula alta de 15,8% e em 12 meses, de 13,9%.

O crescimento ficou abaixo do previsto pelo mercado, que estimou alta de 9,40% em abril na comparação com o mesmo mês de 2007, segundo a mediana das projeções do Termômetro Leia, pesquisa feita junto a instituições financeiras com as previsões para os principais indicadores do país. Pelo conceito de mediana, 50% das previsões estavam acima de 9,40% e 50%, abaixo. As expectativas dos economistas consultados variavam entre 7,50% e 11%.

No cenário corporativo, uma das maiores altas do Ibovespa é da Bradespar (BRAP4), que avança 4,02%, a R$ 43,90. Por ser uma das principais acionistas da Vale, essas ações acompanham o desempenho da mineradora.

Além disso, registram alta as ações da CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4), com ganhos de, respectivamente, 3,04%, a R$ 74,81, 4,00%, a R$ 86,01 e 3,91%, a R$ 41,15. O novo aumento do preço do aço, previsto para julho, surpreende positivamente o mercado, na visão do analista Alan Cardoso, da corretora Prosper. Com o aumento do consumo de aço, preço de custos globais de minério, carvão e energia elétrica, segundo ele, surge a necessidade natural de repassar os aumentos dos insumos. "Combinado com um cenário interno de forte demanda agregada abre espaço para a recomposição e, até, expansão de margens no caso das siderúrgicas integradas", afirma em relatório divulgado hoje.

Também sobem as ações da CCR (CCRO3), com alta de 3,08%, a R$ 35,42. O Decreto 53.107, assinado pelo governador em exercício de São Paulo, Alberto Goldman, publicado na edição do último sábado do "Diário Oficial", estipulou os valores-teto para a cobrança de pedágio nos cinco trechos de rodovias paulistas cujas concessões serão leiloadas. Será a vencedora a concessionária que oferecer o menor valor. Para trechos de pista dupla, o valor máximo é de R$ 0,107910 por quilômetro, enquanto nos trechos de pista única será de R$ 0,077078 por quilômetro. O decreto esclarece que esses números estarão sujeitos a reajuste com base no Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com base em julho de 2008. Tanto a CCR como a OHL Brasil já confirmaram que irão participar da disputa, com interesse maior nas rodovias Dom Pedro I e no sistema Ayrton Senna/Carvalho Pinto.

No sentido oposto, poucas empresas registram queda, entre as quais a AmBev (AMBV4), que perde 1,79%, a R$ 109,49. Ontem, a agência de classificação de risco Moodys afirmou o rating "Baa1", em moeda local, com perspectiva positiva, à empresa, na seqüência da oferta de compra realizada pela sua controladora InBev para a empresa norte-americana Anheuser-Busch por um valor de US$ 65 por ação da empresa americana.

Segundo a vice-presidente e analista-sênior da Moodys, Soummo Mukherjee, "a atribuição do rating se baseia em declarações dos gestores da InBev de que a sua subsdiária no Brasil não faz parte da operação e que suas atividades não serão afetadas. O rating e as boas perspectivas continuam fundamentados em nossa expectativa de que a AmBev será capaz de compensar os preços mais elevados e de continuar a melhorar sua margem Ebitda", acrescentou Mukherjee. Além disso, a agência informou que, para o rating da companhia ascender para a "Baa1" em escala global, a AmBev deve demonstrar que pode integrar e gerir com êxito a sua crescente rede geográfica e evitar a volatilidade de seus resultados apesar do seu foco em mercados emergentes. "Para qualquer atualização de rating, o múltiplo de Ebitda/juros teria de melhorar de 5,5 vezes, enquanto a sua relação de fluxo de caixa financeiro/dívida total deve ser mantida acima dos 20%", informou a Moodys.

Também têm desvalorização as ações da Embraer (EMBR3) e Transmissão Paulista (TRPL4), com perdas de, respectivamente, 0,94% a R$ 12,56 e 2,36% a R$ 48,72.

As ações com o maior volume financeiro negociado são as preferenciais da Petrobras (PETR4), com R$ 427,829 milhões. As ações da estatal subiam, há pouco, 0,80% a R$ 46,17. Em seguida aparecem as PNAs da Vale (VALE5) com R$ 389,129 milhões, seguidas pela CSN, com R$ 106,118 milhões.

Mercados internacionais

As bolsas dos Estados Unidos operam em queda. Há pouco, o Dow Jones Industrial recuava 0,58%, a 12.198,25 pontos, enquanto o Nasdaq C caía 0,25%, a 2.468,41 pontos. Já o S&P 500 se desvalorizava em 0,29%, a 1.356,17 pontos.

As principais bolsas européias fecharam em alta. O FTSE-100, da Bolsa de Londres, ganhou 1,16%, a 5.861,90 pontos, enquanto o DAX-30, da Bolsa de Frankfurt, subiu 0,98%, a 6.796,16 pontos. O CAC-40, da Bolsa de Paris, registrou valorização de 0,61%, a 4.687,33 pontos.

No mercado de commodities, o preço do barril de petróleo WTI com entrega para julho, negociado na Bolsa de Nova York, registrava queda de 0,29%, cotado a US$ 134,21, enquanto em Londres o produto tipo Brent com vencimento em julho caía 0,45%, para US$ 135,26.

Câmbio

No mercado de câmbio, o dólar à vista operava em queda de 0,73%, cotado a R$ 1,614. Já o dólar futuro, com vencimento em julho, tinha desvalorização de 0,61%, a R$ 1,619. No início da tarde, o Banco Central realizou leilão de compra de dólares no mercado, com taxa de corte de R$ 1,6123.

Juros

Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), negociados na BM&F, projetam taxa de 14,85% para janeiro de 2010, queda em relação ao último fechamento (14,92%), enquanto o contrato de janeiro de 2009 estava cotado em 13,22%, também em queda em relação à taxa do último fechamento (13,24%). A taxa Selic está em 12,25% ao ano.

Carolina Marcondes / Agência Leia

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