Cometário Macro: Matéria ao Jornal do Brasil
13/06/2008

Abaixo a matéria vinculada na edição do dia 12 de junho no Jornal do Brasil por Ricardo Zeno.

Inflação para maio e PIB são semelhantes aos de 1996, mas economia está mais robusta hoje

Ana Cecilia Americano e Cláudia Dantas - Jornal do Brasil

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou para 0,79% em maio, a maior variação para um maio desde 1996, conforme relatório divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado do Produto Interno Bruto (PIB), anunciado pelo IBGE na véspera, também teve o ano de 1996 como referência, já que os 5,8% de crescimento do PIB só igualaram-se ao aumento registrado no mesmo período daquele ano.

Embora os índices mostrem semelhanças entre esses dois anos, economistas ressaltam que o cenário macroeconômico de hoje é completamente diferente do de 12 anos atrás. Dois anos depois daquele 1996, o Brasil se viu no meio de um furacão mundial chamado crise asiática. Hoje, o crescimento, acham analistas, é mais robusto e sustentável. Tende a ficar acima de 5% ainda este ano e pode se prolongar pelos próximos.

Cláudio Frischtak, da Inter.B Consultoria, acha que 1996 foi um ano bom para a economia. Houve choque positivo de renda, porque a inflação, o maior redutor da renda, estava controlada.

Antes do Plano Real, em 1994, lembra o economista, o país vivia um processo hiperinflacionário, com taxas de até 70% ao mês.

– Naquela época, governo se autofinanciava por meio da inflação, e os bancos também costumavam ganhar muito dinheiro – relembra. – Por isso, depois quebraram: o governo ficou com déficit e os bancos recorreram ao Proer.

Doze anos depois, as semelhanças se restringem apenas a alguns dados como inflação e PIB no primeiro trimestre, ainda que a metodologia usada pelo IBGE tenha mudado.

– No passado, países emergentes como México, Rússia, continente asiático, que eram os responsáveis pelas crises externas como a de 1998, hoje são as estrelas – diz.

Segundo o economista, em 1996, o país era extremamente frágil nos aspectos fiscais e cambiais, embora vivesse uma explosão de consumo e um aumento da renda, caso semelhante ao atual.

Embora haja déficit nas contas correntes, diz Frischtak, o Brasil está mais guarnecido pelo montante das reservas internacionais, na casa dos US$ 200 bilhões, e pelo fluxo de capitais de longo prazo. Além disso, o superávit nominal é o melhor indicador de todos os tempos, "porque demonstra que o Brasil efetua o pagamento de todas as contas como também o pagamento dos juros", destaca.

Para o economista-chefe da AZ Investimentos, Ricardo Zeno, os momentos são distintos.

– A taxa de juros é uma das menores da história, e o país está muito mais guarnecido por causa das reservas internacionais – considera Zeno. – Aliás, este foi um dos aspectos analisados pelas agências de rating para conceder o grau de investimento. Hoje, o crescimento é bem mais sólido e sustentável.

Para Douglas Renato Pinheiro, professor de economia das Faculdades Rio Branco, o Brasil aumentou a participação externa e ampliou a base de relações, antes restrita a países da América do Sul.

– A inflação assusta, mas a estratégia do governo de aumentar a taxa de juros para controle da inflação é temporária – aposta Douglas. – Vai inibir o setor produtivo, no entanto, não afetará a renda da população nem a economia.

Taxas de bancos pressionam

O que já se percebia nas gôndolas dos supermercados, confirmou-se tanto no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), quanto no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de maio, divulgados ontem pelo IBGE. O setor de alimentos, em especial o arroz, foi o grande vilão. Respondeu por 0,43 ponto percentual sobre o montante total. Também colaboraram com a subida do IPCA os serviços bancários – como os extratos adicionais e as taxas cobradas por transferências, que subiram 8,74%. Os ingressos para jogos de futebol também deixaram os torcedores mais distantes dos gramados: subiram 19,69%. E o óleo diesel a variação foi de 7,24% nas bombas de todo o país, devido ao reajuste de 15% nas refinarias a partir do dia 2 de maio.

– Neste grupo, contudo, as altas são localizadas, pontuais – comenta Eulina Nunes, coordenadora de índices de preços do IBGE.



Clique no link abaixo para acessar a edição on-line.

http://ee.jornaldobrasil.com.br/reader/zomm.asp?pg=jornaldobrasil_117431/82466

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