Comentário: Para onde
correr com a provável alta
do juro hoje?
04/06/2008
Especialistas recomendam
aplicações pós-fixadas
até o fim do ano. Depois de
dezembro, vale investir em prefixados
Mariana Segala - AE (agência
Estado)
É consenso entre os analistas
financeiros que o Comitê de
Política Monetária (Copom)
do Banco Central dará continuidade,
na reunião de hoje, à
escalada de alta nos juros básicos
da economia brasileira (Selic). A
depender das projeções
do mercado compiladas na pesquisa
semanal Focus, a taxa anual –
atualmente em 11,75% – atingirá
13,75% no fim deste ano e voltará
para 12,50% em dezembro de 2009. Para
aproveitar os movimentos de altas
e baixas, o ideal é variar
as aplicações de acordo
com a maré. Nos próximos
meses, o melhor é colocar dinheiro
novo em investimentos atrelados à
Selic, indicam os especialistas.
“Os fundos DI são a melhor
opção nesse momento”,
diz o sócio da M2 Investimentos
Luiz Medina, que aposta numa alta
de 0,75 ponto porcentual na Selic,
passando para 12,50%. Esses fundos
oferecem ao investidor a rentabilidade
do Certificado de Depósito
Interbancário (CDI), que acompanha
de perto as variações
da taxa básica. “Escolha
um bom fundo DI com taxa de administração
baixa”, recomenda. “É
bobagem pagar mais de 1% ao ano de
taxa”, sugere.
O sócio da AZ Investimentos
Ricardo Artur Ciocca Zeno sugere ainda aplicações
em Certificados
de Depósitos Bancários
(CDBs), que são títulos
privados emitidos pelos bancos, além
de título públicos do
governo federal – sempre pós-fixados.
Não que opções
prefixadas, em que a rentabilidade
é definida no momento da aplicação,
sejam más alternativas. “Também
são boas em função
de termos juros reais (descontados
os efeitos da inflação)
ainda muito altos”, afirma Zeno,
que espera alta de 0,50 ponto porcentual
na reunião de hoje. “Mas
a rentabilidade dos pós-fixados
é interessante agora em função
do aumento das taxas.”
Variar as aplicações,
de acordo com o calendário
dos juros, até o fim do ano
é a sugestão do professor
de Mercados Financeiros Alcides Leite,
da Trevisan Escola de Negócios.
Ele recomenda que dinheiro novo seja
direcionado para investimentos pós-fixados
até dezembro, quando a Selic
deverá chegar ao topo.
“Quando os juros atingirem o
pico, o ideal é ficar com alternativas
prefixadas”, afirma. Quando
o cenário é de baixa
dos juros, elas são vantajosas
porque garantem uma rentabilidade,
definida no momento da compra, mais
alta do que será a taxa nos
meses seguintes. Leite sugere ainda
aplicações prefixadas
vinculadas a índices de preço
para os próximos dois meses,
quando a inflação, acredita
ele, deverá chegar ao ápice.
“Julho e agosto serão
bons meses para aplicações
em inflação. Novembro
e dezembro serão bons meses
para juros pré-fixados."
Cuidado com dinheiro já
aplicado
Quem já tem dinheiro aplicado
precisa avaliar se vale a pena mudar
de investimento após a alta
dos juros. “A diferença
de rentabilidade entre fundos DI e
de renda fixa (que em geral aplicam
em papéis prefixados) estará
na segunda casa após a vírgula”,
brinca Medina, da M2. “Se o
investidor está num fundo de
renda fixa há um ano e meio,
que fique nele. A rentabilidade a
mais num DI não compensa a
vantagem tributária.”
Medina se refere ao Imposto de Renda
cobrado sobre a rentabilidade de todos
os investimentos de renda fixa –
sejam fundos ou títulos. A
alíquota diminui conforme aumenta
o tempo da aplicação.
Para dinheiro investido por até
seis meses, o porcentual descontado
é de 22,5%. Cai para 20% para
períodos até um ano
e para 17,5% nas aplicações
de até dois anos. Se o dinheiro
fica aplicado por mais de dois anos,
a alíquota chega a 15%. “Não
abra mão do benefício
tributário”, reforça
Medina.
Se o dinheiro estiver em ações,
os analistas recomendam mantê-las.
“Apesar da alta dos juros, acreditamos
que a bolsa continuará se apreciando
em função das duas chancelas
que atestaram o baixo risco do País”,
diz Zeno, da AZ. No dia 30 de abril,
a agência de classificação
de risco Standard & Poor’s
concedeu grau de investimento ao Brasil,
seguida pela agência Fitch,
na quinta-feira passada. Com isso, Zeno trabalha com um potencial
de alta para o Ibovespa, principal
índice da Bolsa de Valores
de São Paulo (Bovespa), de
cerca de 18% até o fim do ano.
“Trabalhamos com a bolsa em
85 mil pontos”, afirma.
Enquanto Zeno recomenda “aumentar
gradualmente a exposição
à renda variável”,
para Medina é hora de manter
as posições na bolsa
ou até diminuir. E é
o momento para aumentar os investimentos
em renda fixa. “Este é
o cenário para juros aumentando
e a bolsa na máxima”,
diz. Quem for mais ousado, no entanto,
pode arriscar mais em Bolsa.

Publicado em: 04 de
junho de 2008, 07h00
Alterado em: 04 de junho de 2008,
07h00
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