Bolsa termina o mês como pior investimento; dólar lidera
01/02/2010
30 de Janeiro de 2010 07h18
Mariana Segala
Os bons ventos da bolsa de valores em 2009 cessaram em janeiro. Momentaneamente, sugerem os analistas.
Ainda é difícil afirmar com precisão, mas os especialistas acreditam que a queda de 4,65% registrada pelo Ibovespa neste mês - que levou as ações para a lanterna do ranking dos investimentos - promete não ser o tom da rentabilidade da renda variável neste ano.
"Não vejo a baixa deste mês como uma reversão de tendência, mas simplesmente como um ajuste", diz o sócio da consultoria AZ Investimentos, Ricardo Zeno. O índice acionário terminou o mês aos 65.401 pontos.
Em princípio, opina o especialista, o desempenho do Ibovespa reflete um movimento de realização de lucros. Ou seja, de investidores vendendo papéis com o objetivo de embolsar os ganhos obtidos do ano passado até a primeira semana do mês.
"O mercado chegou a bater nos 70 mil nos primeiros dias de janeiro e só intensificou o movimento inverso nos últimos cinco pregões", destaca Zeno. Neste período em especial, só a saída líquida de investimentos estrangeiros da BM&FBovespa (compras menos vendas de ações) somou R$ 2,5 bilhões.
"O mercado se apresentou otimista até a metade do mês, quando notícias de aperto monetário na China causaram apreensão", lembra o administrador de investimentos Fábio Colombo.
"O plano do governo americano de restringir a atuação dos bancos também criou nervosismo e, desse modo, a maioria das bolsas apresentou resultados negativos." Não foi diferente no Brasil, destaca, onde notícias sobre as balanças comercial e de pagamento também pesaram. Mas a queda não é exatamente ruim para todo investidor, lembra Colombo.
Diante do recuo, ele sugere a compra gradativa de ações para compor a carteira de investimentos.
Dólar na liderança
Na ponta oposta do ranking, o dólar se mostrou a aplicação mais rentável deste início de 2010 - a cotação da moeda subiu 7,67% em janeiro, encerrando cotada a R$ 1,87.
A piora vista nas economias pelo mundo ajuda a explicar o desempenho, assim como também a forte saída de recursos da bolsa. "Boa parte do investimento estrangeiro vendido pode já ter sido repatriada", afirma Zeno.
O ouro negociado na BM&FBovespa também se mostrou uma boa aplicação em janeiro, registrando alta de 6,45% e cotação final de R$ 66 por grama. Consequência, também, da alta do dólar, uma vez que o preço do metal no Brasil é composto pela sua cotação nos mercados internacionais, além da variação da moeda americana.
As aplicações de renda fixa concentraram-se no centro do ranking de janeiro. O retorno da poupança, de 0,50%, encostou no rendimento líquido (descontado Imposto de Renda à alíquota de 22,5%) da taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), principal referência para a renda fixa, que ficou em 0,51%.
O retorno bruto do CDI foi de 0,66%. Esse cenário, no entanto, promete mudar. "A partir do segundo trimestre, as chances de passarmos por um aperto monetário são grandes, visto que as projeções do mercado são de que a inflação fique acima da meta. Com uma alta da Selic (taxa básica de juros), a renda fixa tende a render mais."
Fonte: Brasil Econômico
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