News - Briefing de Mercado

Ibovespa acompanha humor externo e fica acima de 67 mil pontos
23/11/2009

23 de Novembro de 2009 13h32
Bruno Azevedo

A alta nas bolsas europeias e norte-americana anima os investidores da BM&FBOVESPA no primeiro pregão da
semana. Para analistas, parte da valorização é uma resposta às altas de sexta-feira, quando a Bolsa brasileira não operou. A valorização das commodities é outro fator que impulsiona os mercados neste segunda-feira. Há pouco, o Ibovespa subia 1,32%, a 67.205 pontos (mínima de 66.335 pontos e máxima de 67.365), com volume financeiro negociado de R$ 2,074 bilhões.
 
Para o sócio-diretor da AZ Investimentos Ricardo Zeno, o mercado brasileiro segue otimista, dado o bom desempenho das bolsas da Europa e a abertura positiva dos índices norte-americanos. A alta de sexta-feira lá fora também encontra repercussão no pregão de hoje da BM&FBOVESPA.
 
"Ainda há espaço para valorização das bolsas internacionais. Ainda que o Ibovespa já tenha se valorizado demais, será inevitável que ele acompanhe essas altas", diz Zeno.
 
Segundo ele, o mercado já incluía na alta a expectativa positiva pra o indicador de vendas de imóveis usados nos Estados Unidos. Há pouco, a Associação Nacional dos Corretores informou que as vendas cresceram 10,1% em outubro ante setembro, para uma taxa anualizada de 6,1 milhões de unidades, já com ajuste sazonal. O resultado ficou acima das expectativas dos analistas, que esperavam alta para uma taxa anualizada de 5,7 milhões. Na comparação anual, as vendas crescem 23,5%.
 
O operador Marcelo Moura, da SLW Corretora, destaca o bom desempenho das commodities, que puxam as bolsas mundiais. Moura também acredita que os números do setor imobiliário norte-americano serão fundamentais para dirigir o rumo dos negócios durante a tarde.
 
Entre os indicadores divulgados hoje no exterior, o Indice dos Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial dos 16 países que compõem a zona do euro avançou para 51 pontos em novembro, maior nível em 20 meses, ante50,7 pontos em outubro. Segundo o instituto de pesquisas Markit Economics, a recuperação foi novamente influenciada pelos sólidos ganhos na produção manufatureira, que avançou pelo quarto mês consecutivo e mostrou o maior ritmo desde setembro de 2007.
 
Já o PMI da atividade do setor de serviços da zona do euro subiu para 53,2 pontos, ante 52,6 pontos em outubro. O setor privado continua sendo afetado pelas pressões inflacionárias, enquanto a confiança dos fornecedores de serviçosem relação aos níveis de atividade para o ano que vem, mostrou a segunda baixa consecutiva.
 
O Produto Interno Bruto (PIB) dos países que compõem a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) subiu 0,8% no terceiro trimestre, na comparação com o trimestre anterior, quando apresentou estabilidade. Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, o PIB da OCDE retraiu 3,3%. Para os países que compõem o G-7, o PIB cresceu 0,7% no terceiro trimestre ante o trimestre imediatamente anterior. O PIB dos 16 países da zona do euro subiu 0,4%. Na União Europeia, a expansão foi de 0,2%.
 
Em discurso realizado em Madri, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, afirmou que ainda é cedo para dizer que a crise financeira acabou, mas quando isso acontecer, não deve haver preocupações em relação à determinação e à habilidade da instituição de retirar gradualmente as medidas de estímulo. "Nós vamos nos certificar que as medidas de liquidez extraordinária tomadas sejam retiradas de forma adequada e que a liquidez injetada seja absorvida, de modo a conter efetivamente qualquer ameaça à estabilidade de preços no médio e longo prazo", disse Trichet.
 
No Brasil, o mercado manteve sua estimativa para a expansão da economia brasileira em 2009. De acordo com as 100 instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central (BC) para o boletim Focus desta semana, o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá 0,21% este ano, mesma projeção da semana passada. Para 2010, a estimativa de crescimento também permaneceu a mesma, 5%.
 
A balança comercial registrou superávit de US$ 345 milhões na terceira semana de novembro, resultado de exportações de US$ 2,907 bilhões e importações de US$ 2,562 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. No ano, o superávit soma US$ 22,962 bilhões, resultado de US$134,668 bilhões em exportações e US$ 111,706 bilhões em importações. A média diária de exportações está em US$ 606,6 milhões, queda de 24,4% ante o mesmo período de 2008 (US$ 802 milhões). Já a média diária das importações está em US$503,2 milhões, recuo de 28,6% em relação a igual período do ano passado (US$ 705 milhões).
 
Pesquisa do Instituto Sensus para a Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgada neste início de tarde, mostra que a avaliação positiva (bom e ótimo) do governo Luiz Inácio Lula da Silva subiu de 65,4% para 70%, uma recuperação ante a edição anterior, quando a avaliação positiva do governo haviacaído 4,4 pontos. A avaliação negativa caiu um ponto percentual, de 7,2% para 6,2%. A aprovação ao desempenho pessoal do presidente acompanha o movimento de recuperação, com crescimento de 76,8% para 78,9%, enquanto a desaprovação cai de 18,7% para 14,6%.
 
No noticiário corporativo, o Conselho de Administração da Cielo, atual denominação da Visanet, aprovou a aquisição de até 6 milhões de ações
escriturais ordinárias, sem valor nominal, de sua própria emissão. A intenção é manter os papéis em tesouraria, cancelamento ou alienação. Há pouco, as ações ordinárias da Cielo (VNET3) avançavam 3,22%, a R$ 16,00.
 
O diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, afirmou nesta manhã que ampresa irá financiar seus fornecedores com os recursos da capitalização destinada ao pré-sal. Os modelos de financiamento estão sendo negociados com alguns bancos. A intenção é beneficiar, sobretudo, os fornecedores que possuem contratos de longo prazo com a empresa, mas a vantagem não servirá exclusivamente a eles. Também aqueles que são subcontratados poderão utilizar a linha de crédito. Na BM&FBOVESPA, a ação preferencial da Petrobras (PETR4) ganhava 1,48%, a R$ 39,07, o mais negociado do dia,. com giro de R$ 187,257 milhões.
 
Ainda entre os papéis mais negociados na Bolsa paulista, Vale PNA (VALE5) movimentava R$ 89,877 milhões (alta de 1,43%, a R$ 43,11). A ação da CIelo (VNET) tem giro de R$ 61,818 milhões.
 
Mercados internacionais
 
O mercado de ações norte-americano opera em alta. Há pouco, o índice Dow Jones subia 1,61%, a 10.484,43 pontos, o S&P 500 ganhava 1,78%, a 1.1190,90 pontos, e o Nasdaq Composto valorizava-se em 1,92%, a 2.187,38 pontos.

Na Europa, os principais índices também mostram valorização. O FTSE-100, da Bolsa de Londres, tinha alta de 2,35%, a 5.374,888 pontos, e o CAC-40, de Paris,avançava 2,52%, a 3.823,50 pontos. O DAX-30, de Frankfurt, tinha alta de 2,19%,a 5.787,12 pontos, o Ibex-35, de Madri, subia 2,00%, a 11.954,00 pontos, e o SMI-20, de Zurique, ganhava 1,93%, a 6.398,62 pontos.

Petróleo
 
No mercado de petróleo, o WTI com vencimento em janeiro, negociado em Nova York, operava há instantes em alta de 2,59%, a US$ 79,48. Em Londres, o Brent para o mesmo mês registrava valorização de 2,56%, a US$ 79,18.
 
Câmbio
 
O dólar comercial operava em queda de 0,34%, a R$ 1,726. O dólar futuro, com vencimento em dezembro, recuava 0,23%, a R$ 1.727,0.
 
No início da tarde, o Banco Central realizou leilão de compra de dólares, com taxa de corte de R$ 1,7228. A liquidação será feita na quarta-feira.
 
De acordo com o boletim Focus, o dólar deverá encerrar 2009 em R$ 1,70, mesema projeção das últimas cinco semanas. Para o fim de 2010, as estimativas também foram mantidas (pela quinta semana seguida) em R$ 1,75.
 
 Juros
 
No mercado de juros futuros da BM&FBOVESPA, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012 operam operavam em alta, de 11,63% para 11,64%. Já os contratos com vencimento em janeiro de 2011 operam estáveis em 10,18%.
 
O Indice de Preços ao Consumidor-Semanal (IPC-S) da terceira quadrissemana de novembro registrou inflação de 0,22%, ante 0,20% no período imediatamente anterior, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Na terceira quadrissemana de outubro, o IPC-S havia registrado alta de 0,04%.
 
De acordo com o Focus, a estimativa para o Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para os próximos 12 meses passou de 4,33% para 4,36%. Para 2010, a previsão passou de 4,41% para 4,43%. Para este ano, a projeção ficou em 4,26%, mesmo número da semana passada. 
 
As instituições ouvidas pelo BC também mantiveram (pela 22 semana) assuas projeções para Selic, que deverá terminar o ano em 8,75%. Para o final do ano que vem, a estimativa é de 10,50%, a mesma das últimas cinco semanas.

Fonte: Agência Leia

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