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Apesar de discussão sobre IR, depósitos na poupança aumentam
28/09/2009

28 de Setembro de 2009 15h07
Mariana Segala

Apesar da proposta do governo de começar a tributar a poupança a partir do ano que vem, os depósitos na boa e velha caderneta estão aumentando. Neste mês, até dia 22, as aplicações líquidas (descontados os resgates) feitas na poupança totalizavam R$ 2,2 bilhões, de acordo com os dados compilados pelo Banco Central. O volume é quase 40% superior ao R$ 1,6 bilhão captado pela caderneta no mesmo período do mês passado.

“Com a taxa de juros em um patamar historicamente baixo, diminui o custo de oportunidade dos investimentos”, afirma o sócio da consultoria AZ Investimentos, Ricardo Zeno, referindo-se à taxa Selic, atualmente estacionada nos 8,75% ao ano. “O investidor até fica atento à possibilidade de a caderneta passar a ser tributada, mas isso não acontecerá no curtíssimo prazo. É só para 2010, e se o projeto for aprovado pelo Congresso.”

Em agosto, a poupança registrou captação líquida de R$ 3,1 bilhões, o segundo melhor resultado mensal do ano, perdendo apenas para julho, quando os depósitos somaram R$ 6,7 bilhões – o melhor resultado desde dezembro de 2007. No acumulado do ano até agosto, os depósitos feitos na poupança chegavam a R$ 12,2 bilhões, enquanto nos mesmos meses de 2008 a captação chegava a R$ 8,5 bilhões.

Juro menor

O gestor de renda fixa da Meta Asset Management, Henrique De La Rocque, destaca que, no atual momento, com a cobrança de taxa de administração dos fundos de renda fixa e a incidência de Imposto de Renda à alíquota de no mínimo 15% sobre os rendimentos, aplicar na poupança tem sido mais vantajoso. “Eu mesmo, que nunca tive poupança na vida, agora tenho”, comenta. Enquanto a caderneta recebe dinheiro, os fundos referenciados DI – que acompanham o desempenho da taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI, principal referência para os investimentos conservadores) – registram resgates líquidos acumulados de R$ 5,4 bilhões neste ano (até dia 24), de acordo com os dados do site financeiro Fortuna (www.fortuna.com.br).

Mas na visão de Rocque, esse movimento possivelmente será estancado a partir de meados do ano que vem. Será mais ou menos nesta época, na opinião do gestor, que as medidas adotadas pelo governo em decorrência da crise financeira internacional começarão a se refletir no andamento da inflação. Ela tenderá a subir e, para conter esse movimento, acredita Rocque, o governo será obrigado a retomar a alta dos juros. “O patamar de 8,75% ao ano não é nosso nível de juros. Não acredito que voltemos aos 13%, mas nossos juros de equilíbrio seriam na faixa entre 9,5% e 10% anuais.”

Zeno, da AZ Investimentos, concorda. “Daqui para o fim do ano, a poupança vai continuar se sobressaindo, com o movimento de entrada se intensificando”, afirma. “Mas com uma elevação das taxas e uma possível aprovação da tributação da poupança, poderemos ver o movimento inverso do atual. Teríamos investidores saindo da poupança e indo para investimentos pós-fixados.”

A pesquisa semanal Focus, divulgada hoje pelo Banco Central, indica que os analistas do mercado financeiro esperam que a taxa Selic esteja em 9,50% ao ano ao final de 2010 – acima da projeção de 9,25% feita por eles na semana passada. Segundo o levantamento, o mercado prevê uma alta de 0,75 ponto porcentual no juro básico a partir de outubro de 2010.

Fonte: Agência Estado

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