Dados sobre bancos incentivam nova desvalorização do Ibovespa
28/07/2009
28 de Julho de 2009 13h21
Carolina Marcondes
São Paulo, 28 de julho de 2009 - Notícias negativas vindas do setor bancário aliadas a um movimento de realização de lucros estão motivando a desvalorização dos principais índices acionários globais, dentre eles, o Ibovespa. Há pouco, o principal índice de ações da BM&FBOVESPA operava em queda de 1,06%, aos 53.971 pontos. O volume financeiro total negociado pela bolsa brasileira somava R$ 2,413 bilhões.
Os mercados europeus, que iniciam suas operações antes dos Estados Unidos e do Brasil, sofreram por conta dos números do Deutsche Bank. O banco alemão anunciou hoje lucro líquido de 1,074 bilhão de euros (1,64 euro por ação) no segundo trimestre, aumento de 66,5% na comparação com igual período de 2008 (645milhões de euros ou 1,27 euro por ação). A receita líquida totalizou 7,9 bilhões de euros, um aumento de 46% na comparação com igual período do ano passado.
Entretanto, o que desagradou ao mercado foi a notícia de que a provisão para créditos duvidosos foi de 1 bilhão de euros no segundo trimestre, ante 135 milhões de euros em igual período do ano passado.
Já nos Estados Unidos, o CEO do Bank of America (BofA), Kenneth Lewis, disse aos investidores que pretende cortar 10% da rede de 6.100 agências, segundo informações do periódico "The Wall Street Journal" (WSJ). Segundo a publicação, Liam McGee, presidente de varejo e pequenos negócios do BofA, teria afirmado que o fechamento das agências, ainda sem data definida, é motivado pela mudança de comportamento dos clientes, com as operações on-line e via celularocupando o lugar das transações realizadas nas agências. Se confirmado, o fechamento das agências marcará a primeira retração da rede de atendimento após duas décadas de expansão. O BofA não se pronunciou oficialmente sobre o assunto.
Outros dados negativos foram divulgados hoje nos Estados Unidos, como o índice de preços S&P/Case-Shiller, que mostrou que os preços de imóveis residenciais apresentaram nova queda em 20 regiões metropolitanas dos Estados Unidos em maio. O indicador apresentou uma leitura de 139,84 pontos em maio, o que refletiu recuo de 17,1% em relação a maio do ano passado, e alta de 0,5% na comparação com abril deste ano. Além disso, o índice de confiança dos consumidores norte-americanos recuou em ritmo maior que o esperado em julho. O indicador, medido pelo Conference Board, atingiu 46,6 pontos, ante 49,3 em junho. Analistas projetavam queda para 49,0 pontos. "Mas esta notícia negativa já foi antecipada pelo mercado", afirma Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos.
Para ele, a desvalorização do Ibovespa hoje é "pontual e natural" e a tendência em curto prazo continua sendo de alta. "O que ocorreu agora é que os preços já não estavam tão atrativos quanto antes. Além disso, os mercados aguardam com ansiedade os dados do Livro Bege", afirma. Este dado será divulgado amanhã.
No Brasil, o Banco Central divulgou hoje que o volume total das operações de crédito do País somou R$ 1,278 trilhão em junho, um crescimento de 19,7% na comparação com o mesmo período de 2008 e de 1,3% em relação a maio. Na proporção do Produto Interno Bruto (PIB), o volume de crédito total alcançou 43,7%, acima dos 43% de maio, maior proporção da série histórica.
Já a taxa média de juros praticada pelos bancos caiu 1,2 ponto percentual em junho, para 36,7% ao ano. Este é o menor percentual desde dezembro de 2007, quando chegou a 33,8%. Em 12 meses, a taxa média também caiu 1,3 ponto percentual.
E o saldo de investimento estrangeiro na BM&FBOVESPA voltou a recuar, mas prossegue positivo em R$ 376,633 milhões entre 1 e 23 de julho. No acumulado do mês até o dia 22, entretanto, o montante era positivo em R$ 776,8 milhões.
No cenário corporativo, uma das maiores valorizações do Ibovespa é registrada pela Cosan (CSAN3), que cresce 0,75%, a R$ 18,78. Na manhã de hoje a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) informou que a quantidade de cana-de-açúcar esmagada até o dia 15 de julho aumentou 18,94% na comparação com o mesmo período acumulado da safra passada, atingindo 209,793 milhões de toneladas. Na primeira quinzena deste mês, foram processadas 33,529 milhões de toneladas de cana, volume 4,6% inferior ao registrado em igual quinzena do ciclo 2008/09.
Também operam em alta as ações da Lojas Renner (LREN3), com ganhos de 0,64%,a R$ 28,02. A empresa varejista informou na noite de ontem que registrou lucro líquido de R$ 47,8 milhões no segundo trimestre, aumento de 9,8% em relação ao mesmo período de 2008 (R$ 43,5 milhões). A receita líquida total subiu 8,2%, de R$ 566,7 milhões para R$ 613,4 milhões, e a de vendas de mercadorias cresceu 8,7%, de R$ 510,3 milhões para R$ 554,7 milhões.
Já as ações preferenciais da Oi, ex-Telemar (TNPL4) caíam 0,53%, a R$ 27,70,enquanto as ordinárias (TNPL3) perdiam 1,97%, a R$ 32,83. O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) informou que entrou com duas ações coletivas contra a Claro (controlada pela mexicana América Movil) e a Oi por descumprimento das novas regras do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).
Se foram condenadas, cada empresa pode pagar multas de até R$ 300 milhões pordanos morais. De acordo com o DPDC, assinam as ações coletivas 23 Procons estaduais, mais o Distrito Federal. Segundo o DPDC, 57% do total de reclamações do SAC foram relativas ao setor de telefonia. Entre as empresas do serviço móvel, a Claro responde por 31% das demandas. Já no serviço fixo, a Oi é responsável por 59% do total de reclamações registradas.
E as ações da CCR (CCRO3) cediam 0,32%, a R$ 30,50. Decisão judicial da 5 Vara da Fazenda, publicada na edição desta terça-feira do Diário Oficial do Estado de São Paulo, em resposta a uma ação popular, proíbe a cobrança de pedágio nas 13 praças do Rodoanel Mário Covas, administrado pela Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR). Segundo o texto, o trecho está localizado a menos de 35 quilômetros do marco zero de São Paulo, a Praça da Sé, o que torna ilegal a cobrança.
A CCR poderá recorrer, assim como ocorreu no último mês de janeiro, quando decisão similar foi publicada. Em comunicado, a empresa afirmou que tomou conhecimento da decisão, mas que, com base em orientação da Artesp, a agência reguladora dos transportes no Estado de São Paulo, irá manter a cobrança "até que haja decisão definitiva de mérito, sem possibilidade de novo recurso judicial".
As ações com o maior volume financeiro negociado são das preferenciais classe A da Vale (VALE5), com R$ 399,211 milhões (queda de 0,43%, a R$ 32,29), seguidas pela Petrobras PN (PETR4), com R$ 291,199 milhões (recuo de 2,12%, a R$31,76). Já as ações ordinárias da Vale (VALE3), que cediam 1,05%, a R$ 36,66, movimentavam R$ 101,788 milhões.
Mercados internacionais
Os principais índices norte-americanos operavam em queda. O índice Dow Jones recuava 0,74%, a 9.041,40 pontos, enquanto o S&P 500 cedia 0,93%, a 972,96 pontos. O Nasdaq Composto desvalorizava-se em 0,65%, a 1.955,06 pontos.
Na Europa, as principais bolsas tiveram mais um dia de queda. O FTSE-100, da Bolsa de Londres, caiu 1,25%, a 4.528,84 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX 30 perdeu 1,46%, a 5.174,74 pontos, enquanto o CAC 40, da Bolsa de Paris teve quedade 1,22%, aos 3.330,97 pontos. Exceção, o Ibex-35, da Bolsa de Madri, subiu 0,68%, a 10.664,0 pontos. O índice SMI, da Bolsa de Zurique, diminuiu 0,20%, a 5.762,80 pontos.
Petróleo
Há pouco em Nova York, o barril de petróleo WTI com vencimento em setembro caía 2,26%, a US$ 66,85. Em Londres, o contrato do tipo Brent, com vencimento para o mesmo mês tinha desvalorização de 1,77%, a US$ 69,55.
Câmbio
O dólar comercial operava em alta de 0,90%, a R$ 1,8920. O dólar futuro com vencimento em agosto avançava 0,87%, a R$ 1.892,00.
Juros
No mercado de juros futuros da BM&FBOVESPA, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2010 operavam em alta, avançando de 8,63% para 8,64%. Os contratos para outubro de 2009 operavam em queda, de 8,62% para 8,609%
Fonte: Agência Leia
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